A velha dinâmica da sala de aula nunca me agradou, desde criança, passando por minha adolescência, época de faculdade e chegando aos dias de hoje. O modelo em que uma pessoa, o professor, fica sozinha falando e outros tantos, os alunos, ficam silenciosamente prestando atenção não funciona de maneira efetiva para que eu absorva conhecimento. Quando isso acontece meu nível de atenção não dura mais do que uns 30 minutos, e depois entra em rápido declínio.
Fui campeão em quantidade de aulas não frequentadas na faculdade. Mas lá era onde a formalidade dos professores transformava a participação do aluno em algo raríssimo. Lá a ordem, na maioria dos casos, era: o professor entra na sala, realiza seu monólogo, os alunos têm que ficar em absoluto silêncio (não precisam demonstrar interesse, basta não fazerem barulho ou dormirem), e no dia do exame o professor, para mostrar que é um "profissional exigente", apresenta questões de complexidade incompatível com a qualidade de sua aula. Lembro de professores que entravam na sala de aula, arriscavam um "boa tarde", viravam-se de costas para os 40 alunos na sala, e passavam ininterrúptos 80 minutos em seu monólogo enquanto rabiscavam seu giz no quadro.

Nesta época tive que desenvolver fortes dons auto-didatas, ou então não iria concluir a faculdade. Meu "wake-up call" foi quando reprovei no primeiro ano da faculdade, algo que até então eu nunca imaginei que aconteceria comigo. Certa vez estudei em uma noite (com a ajuda de meu pai que me deu valiosas dicas em cerca de 1 hora) a matéria de um semestre inteiro de uma Disciplina na qual eu simplesmente nunca havia assistido uma aula sequer. No dia do exame o mestre me parou na porta e perguntou se eu estava na sala certa. Resultado: tirei um 8.5, mais que suficiente para passar. E não foi um exame fácil, pois cerca de 1/3 dos que assistiram religiosamente as aulas acabaram reprovando.
O lado bastante positivo é que essa capacidade de aprender sozinho, pesquisando, no meu próprio ritmo, me ajudou (e ainda ajuda) profissionalmente e é um diferencial competitivo que acabei ganhando. Acho até que com a Internet e a forma com que se garimpa dados atualmente essa habilidade de cavar as informações e focar no essencial se tornou ainda mais bem-vinda.
E para minha felicidade, atualmente quando tenho que passar por uma sessão de treinamento,a coisa costuma ser bem diferente. Instrutores jovens e bem antenados com a atualidade, atuando na prática no mercado, cadeiras organizadas em "U" para promover a interação entre alunos, dinâmicas montadas de forma a estimular a participação de todos e levar o grupo às conclusões. Dessa forma tenho tanto interesse que o tempo não passa; sou sempre um dos que mais contribui, seja para ajudar a sustentar o que se está falando ou para questionar, sem medo de cara feia.
Acho que tem mais gente assim por aí... se é seu caso, deixe um comentário. :-)